Os impactos da neurociência organizacional no desenvolvimento do negócio

Como posso, não apenas como profissional, mas também como cidadão, ser criativo e ajudar com meus conhecimentos e informações a empresa na qual atuo, ou as quais atendo? Eliseu Martins

A neurociência é um campo de estudos multidisciplinar por natureza. Com a compreensão das reações químicas e biológicas no cérebro, aliado às interações sociais, é possível entender melhor o comportamento das pessoas.

Não é algo tão direto como uma receita para aumentar a produtividade da equipe, por exemplo. Na verdade, quando aplicada ao contexto dos negócios, a Neurociência Cognitiva Organizacional (NCO) se dedica a criar equipes de alta performance, com base em tudo o que já se sabe sobre o comportamento humano e o cérebro.

Venha conferir os impactos da NCO no desenvolvimento de um negócio!

Neurociência Organizacional e desenvolvimento de negócios

A neurociência é um campo que envolve pesquisas em diversas áreas, desde a biologia até a psicologia. Trata-se de um acumulado de conhecimentos da humanidade sobre o comportamento humano, com um olhar para as ciências biológicas e exatas.

No entanto, é evidente que o funcionamento do cérebro não é tão regrado quanto as ciências exatas. Ao longo dos séculos os psicólogos vêm tentando entender padrões de comportamento que explicam os movimentos de grupos de pessoas.

Afinal, precisamos ter em mente que empresas são formadas por um grupo de pessoas em torno de um objetivo comum, e que esses mesmos indivíduos influenciam e são influenciados pelo meio.

Portanto, conforme constata Roberto Dias Duarte em pesquisa na área do Neurobusiness, a baixa produtividade, por exemplo, pode ser um reflexo do grupo, e não de um indivíduo isolado.

O comportamento social, como a confiança nos colegas de trabalho, é o principal fator para até mesmo prever o comportamento do grupo. Em estudo realizado em um escritório de contabilidade, compreendeu-se que simplesmente organizando o horário de intervalo para que os colaboradores possam conviver entre si, há um aumento significativo na produtividade, principalmente de equipes com baixo desempenho.

Os neurotransmissores da confiança

É preciso compreender que o funcionamento do cérebro é regido por regras da biologia e da química, porém, o comportamento gerado por essas interações é diferente de uma pessoa para outra. Assim, compreender tendências de comportamento é muito mais importante do que tentar encontrar um padrão.

Conforme descreve Dias Duarte em seu estudo, foi registrado que o neurotransmissor ocitocina está diretamente ligado com a confiança de uma pessoa em relação a outra. Quanto maiores os níveis no cérebro, maior é a tendência a confiar no outro.

Mas e como regular a ocitocina dos seus colaboradores? Essa é uma pergunta que a neurociência organizacional não se preocupa em responder.

É sabido que pessoas com maior grau de confiança tendem a ser mais empáticas, trabalhar em equipe e se engajar com maior rigor em tarefas que lhe são atribuídas. A NCO pensa nessas questões de modo coletivo, ou seja, vendo o grupo como um todo, e não como o agrupamento de pessoas diferentes.

Dessa maneira, a tentativa é de modificar, otimizar ou eliminar comportamentos que são decorrentes das modificações químicas na rede de neurônios. Para que o colaborador se torne mais confiante e confiável, as estratégias da NCO envolvem estimular o grupo nesse sentido, e não microgerenciar os seus integrantes.

Ensinamentos da NCO para os negócios

A NCO traz diversos ensinamentos para os gestores e líderes. Isso não significa tentar entender os níveis químicos de cada organismo, mas como o comportamento do grupo pode influenciar nos resultados de cada integrante e de toda a companhia.

Conforme define Dias Duarte na questão da confiança, a palavra-chave é autonomia. Quando os seus colaboradores sentem que são confiáveis, tendem a confiar mais uns nos outros, gerando um ciclo virtuoso.

Aqui, a empresa tem um papel importante. Essa autonomia é baseada em deixar os colaboradores livres para dividir entre si as funções e os métodos para realizá-las, claro que com o devido controle de qualidade.

Ao dar autonomia, o colaborador percebe o seu valor para o desenvolvimento do grupo, e essa é a razão para que a confiança cresça.

A explicação da NCO para isso é de simples compreensão. Como a rede neural que produz e distribui a ocitocina é velha, quando falamos em questões evolutivas, a sociabilidade que fez o ser humano ser o que é hoje, é fundamental para os resultados do grupo.

Assim, quando para resolver problemas o grupo se junta para discutir os caminhos, as chances de confiarem uns nos outros, tende a aumentar.

Quando comparadas empresas com baixo grau de confiança em relação às de alto grau, constata-se que as de alto grau de confiança apresentam melhores resultados sociais e financeiros.

A equipe de alta confiança possui 11% mais empatia, se sentia 41% mais realizada, 60% dos colaboradores gostavam mais do seu emprego e estavam 70% mais alinhados com os propósitos da empresa.

No final das contas, em termos financeiros, isso era traduzido para salários 17% maiores para os integrantes dessas equipes.

Neuromarketing e o cliente

Os conceitos da NCO são aplicados também para atrair e reter clientes em potencial. Na maioria das vezes esses consumidores não sabem explicar as razões pelas quais tomaram uma decisão, uma vez que esses motivos são muito mais inconscientes do que gostaríamos de admitir.

Assim como a neurociência tenta compreender a formação de equipes de alta performance no contexto empresarial, o neuromarketing vai estudar as tendências dentro de um para os serviços prestados ou produtos vendidos.

Uma das conclusões dessa área de estudos que precisamos mencionar é o impacto da inovação no subconsciente dos clientes. Ao entregar produtos novos e que mudam a maneira de ver um determinado problema, é acionado no cérebro do consumidor gatilhos ligados à emoção e atenção, de modo que ele tende a reter mais informações sobre uma marca que considera inovadora.

O funcionamento do cérebro humano está longe de ser totalmente compreendido, e essa ciência é relativamente recente em termos históricos. No entanto, os avanços que acontecem aos poucos já entregam resultados práticos em empresas que aplicam os conceitos pesquisados.

Ao entender que empresas são feitas de pessoas para pessoas, torna-se evidente a necessidade de entender os comportamentos para a tomada de decisões estratégicas acertadas.

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