Qual o segredo das organizações grandes e bem-sucedidas?

Qualidade em um serviço ou produto não é o que você coloca nele. É o que o cliente ganha com isso. Peter Drucker

O que responde pelo das grandes e famosas organizações no mundo empresarial? Há algum segredo para esses grandes êxitos?

Existem diversos elementos que contribuem para o crescimento e a entrega de bons resultados em grandes empresas. No entanto, todos esses fatores têm uma base em comum: a resolução de problemas.

Em sua raiz, não passa de apresentar soluções a problemas. O mundo possui diversos problemas que precisam ser resolvidos urgentemente. Quanto maior o problema atacado, mais pessoas são atingidas e maiores serão os retornos. Citando uma frase famosa de Peter Diamandis, um dos fundadores da Singularity University: se você quer ser um bilionário, deve resolver o problema de um bilhão de pessoas.

Se estes problemas parecem maiores do que a capacidade do empresário de oferecer uma resolução, lembre-se que a tem possibilitado cada vez mais o fornecimento de novas soluções a custos mais econômicos.

De fato, o poder da ciência e da permite que, atualmente, muito mais pessoas possam impactar multidões, democratizando o poder de influenciar e criar mudanças no mundo em que vivemos. E a forma mais conveniente de instrumentalizar tudo isso é através da atividade empresarial, que, se fornecer uma solução adequada, poderá crescer e se tornar grande, sendo remunerada com bons resultados, e prosperidade.

Mas, afinal, qual o segredo das organizações grandes e bem-sucedidas?

Estudo de caso

Entendendo a base comum do de toda empresa grande e exitosa em sua área de atuação, será útil partirmos de um estudo de caso para compreender, na prática, o que faz a diferença para que uma empresa cresça e tenha bons resultados.

Você já deve ter ouvido falar da Procter & Gamble (P&G), uma das maiores empresas do mundo do setor de produtos de saúde e cuidados pessoais, higiene, cosméticos, etc. No entanto, a empresa nem sempre teve os melhores resultados, inclusive chegando a correr graves riscos para sua continuidade operacional.

Um dos mais altos executivos da empresa, A.G. Lafley, que atuou como seu CEO ou presidente entre 2000 a 2010 e 2013 a 2015, junto do consultor Ram Charan, realizou uma pesquisa para entender o diferencial de empresas grandes e bem-sucedidas, focando na P&G.

Os dois buscaram explicar os motivos para a transformação da P&G de uma empresa burocratizada e lenta para uma corporação pautada pela que ela é até hoje, com expansão expressiva de sua receita e lucratividade. Além dos sucessos, os autores também explicitam os fracassos em termos de inovações e métodos organizacionais.

Inovação, e

A é o elemento-chave para explicar o das grandes organizações em geral e, especificamente, da P&G.

O impulsionamento dos negócios da corporação, o aumento de sua lucratividade e seu diferencial competitivo, todos, se deram em função da inovação. A P&G até hoje buscar integrar em tudo que faz, abrangendo todas suas atividades.

Quando Laffey se tornou CEO da empresa, em 2000, a P&G estava em maus lençóis, com queda de receitas e do preço de suas ações no mercado. Na gestão de Laffey, a empresa se transformou de forma radical. Esta transformação teve como carro-chefe a inovação, produzindo um modelo que pode ser replicado em outras empresas.

A deve ser entendida não apenas como disrupção dos produtos oferecidos, mas também no aproveitamento do diferencial da empresa para posicioná-la mais competitivamente no mercado.

A transformação da P&G teve início com um exame claro e objetivo de suas práticas de gerência. Após a determinação de prioridades, os líderes passaram a trabalhar para que a fosse integrada em todos os processos da corporação. Em resumo, o que se queria era impulsionar o crescimento de setores em ascensão e aumentar o lucro por ação, melhorando também o caixa da empresa.

Identificando seus pontos fortes, a P&G pôde alcançar os resultados pretendidos, a partir do entendimento da integração como processo integrado. Logo, os administradores perceberam que inovar não envolve apenas a criação de novidades, mas também a concretização de ideias novas em receitas e lucros.

O cliente no centro

Um dos primeiros pontos de partida para aplicar a no dia a dia da empresa foi o foco no cliente. Segundo Laffey e Charan, o cliente deve estar no centro de todas as preocupações. Para eles, os clientes são os verdadeiros patrões.

Ao deixar de focar em aspectos como desenvolvimento interno, a P&G pôde expandir seus horizontes estratégicos, abrindo-se para o aprendizado com especialistas, consultores, outras empresas e o mercado consumidor. Assim, em vez de procurar um crescimento mediante fusões e aquisições, a corporação focou em um crescimento orgânico e sustentável, implementando a de ponta a ponta e tomando o consumidor como chefe.

E o que é tomar o cliente como patrão, concretamente? Na verdade, só é possível estabelecer as bases para uma eficiente a partir do cliente. Num primeiro momento, há que se questionar quem é o cliente visado e o que ele quer.

Especificamente para a P&G, o conhecimento sobre os clientes foi imprescindível para a reformulação da empresa. Conhecer o consumidor equivale a compreender as suas necessidades e desejos como pessoa, as quais variam conforme ambiente, cultura e expectativas.

A partir desta base sólida, segundo os autores, a implementação de uma cultura de sistemática não só é possível, como esta inovação acaba sendo praticada de forma habitual, rotineira e consistentemente.

Neurobusiness

Outro segredo das grandes organizações para atingir o é o uso de conhecimentos multidisciplinares, a exemplo da neurociência.

A partir do entendimento aprofundado a respeito do funcionamento do cérebro, isto é, do comportamento humano e dos processos cognitivos, algumas empresas compreenderam que a aplicação desse conhecimento científico poderia levar a melhores resultados organizacionais, de produtividade e de receita, o que acabou se confirmando como realidade.

Por exemplo, a neurociência cognitiva organizacional (NCO), definida como a aplicação da neurociência no desenvolvimento da organização e da liderança, tem se mostrado como um recurso para beneficiar o ambiente interno da corporação. Muito mais que um programa de medidas, a NCO fornece outra forma de pensar sobre os problemas do negócio, impactando os resultados e a produtividade.

Outra ferramenta da neurociência aplicável ao ambiente corporativo é o neuromarketing, o qual tem como objeto a ponta do consumidor. Com a aplicação desses conhecimentos, a empresa se torna capaz de ativar o seu subconsciente de maneira positiva, valendo-se de estratégias que coloquem o cliente no centro.

Conclusão

Ao analisar exemplos positivos de organizações bem-sucedidas, o que se percebe é que todas elas têm em comum a aplicação de estratégias de inovação no seu dia a dia. Além disso, o êxito dessas estratégias é determinado pelo seu alinhamento com o cliente, que deve ser visto como o fim de tudo.

Outras estratégias são aliadas à inovação sistemática e rotineira para alcançar bons resultados, a exemplo do uso de conhecimentos disciplinares da neurociência. Em suma, o segredo das grandes empresas de é a utilização do conhecimento em seu favor, o bem mais precioso do século XXI.