A relação entre inovação e risco

Sem disciplina, quase tudo pode ser justificado como um experimento. Gary P. Pisano

Toda pressupõe risco. E, no mercado, com todo risco calculadamente tomado, espera-se algum tipo de retorno. A prática indica que os maiores retornos são acompanhados de maiores riscos, e que a é um catalisador importante nesse processo.

Segundo o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, a é um pré-requisito para a manutenção do valor da empresa. Nesse cenário, a mitigação do risco da passa a ser mais importante do que nunca.

Em geral, o pensamento que predomina é que devem ser priorizadas as alternativas de de menor risco, seja ele tecnológico, mercadológico ou financeiro. Com a busca da assunção mínima e mitigação máxima destes riscos, a tendência é que se incentive deixar tudo como está (status quo) ou então apenas estimular uma melhoria espaçada e gradual.

No entanto, conforme veremos adiante, esta não é a postura ideal em meio ao mercado atual. Com efeito, a relação entre e risco tem desafiado a concepção conservadora e aversiva. Como se entende, então, esta relação atualmente?

Riscos tradicionais

Uma das características inerentes da é, justamente, o risco. Não se pode inovar sem se arriscar. No entanto, este risco precisa ser entendido de forma relativa a outras iniciativas da empresa.

Alguns elementos de negócios mais tradicionais aparentam ser mais seguros, como, por exemplo, a construção de uma fábrica. Não necessariamente os riscos envolvidos nessa construção são menores do que os riscos da inovação. O que acontece é que a percepção sobre esses riscos é diferente.

Enquanto em elementos tradicionais se acredita que os riscos são muito mais compreendidos e, por conta disso, mais passíveis de gerenciamento e redução, nem sempre os riscos relacionados à são enxergados da mesma forma. No entanto, são riscos como quaisquer outros, podendo sim ser entendidos e reduzidos.

Risco da

Um dos principais riscos da diz respeito aos ruídos e falhas de comunicação entre os elementos da equipe responsável pela inovação, por exemplo, profissionais de marketing e de TI.

Estas lacunas acabam sendo potencializadas por uma postura passiva da empresa, que faz com que não possua um suporte adequado aos profissionais. Com isso, ela não compreende todos os elementos de uma dada inovação, e líderes não são formados para assumir posições relevantes nesse sentido.

Todo esse cenário é agravado por uma atuação dos gerentes que não conversa com a equipe ou equipes de inovação, ou mesmo as atrapalha. Da mesma forma, o desenvolvimento simultâneo de mais projetos do que a empresa pode dar conta e o investimento em ideias sem abordar gargalos são condutas que pioram as lacunas na comunicação.

Outros desafios

Além deste tipo de risco mais aparente, a também traz outros desafios que, muitas vezes, não são apercebidos pelo empresário.

Primeiramente, a incremental demanda, necessariamente, a disponibilidade de habilidades e a tomada de atitudes diferenciadas, que visem a disrupção. Além disso, ainda que a empresa conduza a de forma ideal, nada impede que os concorrentes cheguem ao mercado antes, por conta de uma série de fatores.

Redução dos riscos

Esses e outros riscos associados à podem ser mitigados ou, até mesmo, eliminados com a execução de alguns processos. Com a replicação das etapas a seguir, extraídas de pesquisa de A. G. Lafley e Ram Charan, a empresa deve obter bons resultados na redução dos riscos da inovação.

Em primeiro lugar, é necessário conhecer os clientes da empresa a fundo. A empresa não pode esquecer que o cliente é a razão final do negócio. Desse modo, deve ser dado um foco correspondente a ele, para orientar todo o pensamento e planejamento.

Em segundo lugar, ideias devem ser frequentemente testadas junto aos consumidores, de forma ágil e rápida, com a produção veloz e barata de protótipos.

Em terceiro lugar, o portfólio de deve ser mantido e acompanhado de perto. Esse monitoramento contínuo garante a coexistência harmoniosa de diversos projetos, dando o espaço e tempo necessário para que eles amadureçam.

Em quarto lugar, os problemas, gargalos e riscos devem ser identificados ainda no começo do processo. De fato, ainda na fase do planejamento, todos esses problemas devem ser mapeados com o maior nível de detalhe possível, e a equipe deve ser estimulada a enfrentá-los.

Em quinto lugar, as experiências devem ser tomadas como valioso aprendizado. Sejam sucessos, sejam fracassos, essas experiências são a melhor forma de aprender no mercado.

Por fim, a deve ser medida e ponderada, mediante a aplicação de e indicadores de desempenho. Dessa forma, é possível analisar a de forma quantitativa, com maior objetividade e assertividade.

Como incentivar a com o risco adequado?

A condução de uma atividade empresarial, em todos os seus aspectos, envolve a assunção de riscos. É da natureza da empresa a existência de riscos, não sendo possível não tomá-los. O que é possível, contudo, é entender os riscos profundamente e tomá-los de forma calculada.

O estímulo à é algo que não apenas fornecerá um diferencial competitivo para a empresa, mas garantirá a sua sobrevivência no longo prazo. De fato, é a própria continuidade operacional que está em jogo. Assim, pode-se argumentar que o risco de não inovar, ao menos no longo prazo, é ainda maior do que o risco da inovação em si.

Uma vez que a inovação pressupõe um nível de risco, qual a melhor forma de incentivá-la sem assumir riscos maiores do que os necessários?

Uma das formas de incentivar essa inovação é por meio da autonomia. Após o treinamento dos colaboradores, o ideal é que se permita que eles desenvolvam o seu trabalho de forma independente.

Ao permitir a autonomia na atuação dos funcionários, a empresa acaba por incentivar a inovação indiretamente, pois reconhece de forma implícita a realidade de que diferentes pessoas possuem diferentes abordagens. Desse modo, o espaço necessário é concedido para que a inovação floresça.

A confiança também figura como um fator com grande impacto não só sobre a inovação, mas sobre o desempenho das equipes de forma geral. De acordo com pesquisa de Paul J. Zak, a confiança nos colaboradores melhora a produtividade e a inovação em suas tarefas específicas.

Achou este artigo interessante? Então não deixe de compartilhar com amigos e colegas!