CRISE, INOVAÇÃO E OPORTUNIDADES NO EMPREENDEDORISMO CONTÁBIL

Enfim, se você está insatisfeito com a taxa de inadimplência de seu escritório, a pouca valorização dos serviços contábeis e a crise em si, ótimo! O primeiro passo para a mudança está dado: o incômodo.

por (*)

Enfim, se você está insatisfeito com a taxa de inadimplência de seu escritório, a pouca valorização dos serviços contábeis e a crise em si, ótimo! O primeiro passo para a mudança está dado: o incômodo.
Enfim, se você está insatisfeito com a taxa de inadimplência de seu escritório, a pouca valorização dos serviços contábeis e a crise em si, ótimo! O primeiro passo para a está dado: o incômodo.

Atualmente abrimos portais de notícias e encontramos sempre as mesmas manchetes: crises de caráter, econômica e até de de relacionamento. Sabemos quem foi preso; qual a máxima do dólar, juros, inflação, desemprego; queda do PIB e ainda a quantas anda a briga entre Joelma e Chimbinha, ou qualquer outro casal da moda.

O humor não está dos melhores, é verdade. Pelo menos para muita gente. Acontece que a máxima: “onde há crise, há oportunidades”, não se restringe à retórica, é fato. Para começar a demonstrar essa tese, utilizarei um “causo” como metáfora.

Imagine uma fábrica de sapatos convidada pelo governo de um determinado país a abrir uma filial. O dono enviou dois funcionários para avaliar o mercado deste país. Eles ficariam lá por três meses para esta pesquisa. Na volta, o primeiro relata: “Chefe, perdemos nosso tempo. Eu deveria ter voltado no primeiro dia, pois percebi que naquele paísninguém usa sapatos!”. Já o segundo diz: “Chefe, estamos perdendo tempo. Eu deveria ter voltado no primeiro dia! Chegando lá percebi um mercado fantástico! Ninguém usa sapatos! Seremos os primeiros!”.

Isso é mindset . Segundo Fernando Dolabela, autor do livro “Segredo de Luiza”, é um insatisfeito que usa seu inconformismo para criar soluções, serviços, produtos. O insatisfeito que só reclama não é , seja dono ou funcionário da empresa.

Então, o fato é que temos 9 milhões de empresas “descalças”. Sem boa , tampouco bons sistemas de apoio a essa prática fundamental. Conformidade fiscal e trabalhista também são raridades. Só não entendo quando falam não haver oportunidades na prestação de serviços contábeis.

O que se percebe, na realidade, é falta de preparo para aproveitar as muitas oportunidades existentes. Enfatizo: falta de preparo! Claro que não estou me referindo ao preparo técnico. Sei que grande parte dos profissionais da estuda muito. Muito, mesmo. Mas acabam limitados aos conhecimentos contábil, tributário e trabalhista.

Ainda são pouquíssimos os que dedicam parte do seu tempo ao desenvolvimento das habilidades empreendedoras; estudam técnicas e metodologias relacionadas com a estratégica de suas empresas e carreiras. Estes fazem parte de um seleto grupo formado por empreendedores e intraempreendedores, e que está “nadando de braçada” no atual cenário brasileiro. Temos um mercado gigantesco demandando serviços relacionados com , aplicada à e conformidade fiscal/trabalhista.

Um sintoma desta situação é a crescente preocupação dos escritórios contábeis com a inadimplência. De certa forma, este fenômeno reflete uma oferta comoditizada e de baixo valor agregado. Realizei trabalhos de modelagem de negócios com mais de 300 empresas da área. Muitas delas apresentavam inadimplência baixa, ou mesmo zero.

Quando uma empresa toma a decisão de deixar de pagar um fornecedor, ela avalia qual é o atraso que irá gerar menor risco e menos problemas. Ou seja, pensa em atrasar prestadores de serviços considerados mais básicos, que poderiam ser substituídos com mais facilidade. Sem meias palavras: cliente atrasa conta de quem, na percepção dele, não é tão importante.

Para avaliar a percepção que as empresas têm com relação aos escritórios que as atendem, utilizei uma metodologia global, a NPS (Net Promoter Score). Com mais de 2 mil respostas de empresários, 42% foram classificados como detratores dos escritórios e 33% como promotores. Na prática, isso mostra que temos um terço dos escritórios trabalhando com , pródigos em transformar seus clientes em fãs.
Os escritórios com baixa inadimplência, não por acaso, são justamente os 33% que não têm clientes, mas sim verdadeiros admiradores em suas carteiras.

Os grandes mestres da empresarial são unânimes ao defender que o maior diferencial de uma empresa é o seu . Concorrentes podem copiar serviços, contratar seus funcionários. Mas jamais conseguirão reproduzir fielmente um .

Enfim, se você está insatisfeito com a taxa de inadimplência de seu escritório, a pouca valorização dos serviços contábeis e a crise em si, ótimo! O primeiro passo para a está dado: o incômodo. Agora, use seu inconformismo para criar serviços inovadores para as 9 milhões de empresas “descalças” que estão vagando por ai. Mercado é o que não falta, acredite.

Para isso, identifique seu público-alvo, faça uma oferta de valor imbatível e crie uma estrutura de eficiente, com profissionais comprometidos e qualificados. Este é o “segredo” do . É fácil fazer isso? Claro que não! Exige muito estudo, e dedicação. Mas 33% do já fazem isso muito bem. Seus fãs que o digam. Para tanto, basta aos outros 67% seguirem o mesmo caminho e também chegar ao .

(*) é sócio e presidente do Conselho de da Contábil, primeira deste setor no país.