É possível combater a contabilidade online barata?

por Fábio Guedes

Para os pequenos escritórios de contabilidade o caminho é se fortalecerem atuando em parceria, seja prospectando em conjunto em segmentos estratégicos ou aderindo ao modelo de franquia.
Para os pequenos escritórios de contabilidade o caminho é se fortalecerem atuando em parceria.

O surgimento das contabilidades online a baixo custo elevou a um nível desproporcional a competição pela contratação de serviços para a entrega das obrigações ao fisco. Respaldadas pelos altos investimentos em e , algumas delas conseguiram reunir milhares de clientes com o forte argumento de que cobrariam menos de R$ 60,00 por algo que não custaria menos de R$ 300,00 no modelo tradicional.

Sem conseguir igualar tais condições, muitos sofreram com a fuga de clientes e, em alguns casos, tiveram até mesmo de fechar as portas. Mas será que a é a grande vilã? Não seria este um movimento natural diante da evolução tecnológica? É possível competir com esse tipo de serviço excessivamente barato e automatizado?

Para o e mentor de empresários contábeis, Roberto Dias Duarte, este é um movimento sem volta e que não ocorre somente no Brasil, mas no mundo todo, e ficou conhecido como “Contabilidade Faça Você Mesmo” (Accounting Do It Your Self, em inglês).

A boa notícia para os contadores que desejam e os que já são empresários contábeis é que é possível, sim, competir com a . “Desde que usem as armas certas”, assinala Dias Duarte.

“Não adianta querer igualar os preços, pois o escritório no modelo tradicional não conseguirá prestar um serviço de qualidade em larga escala e, consequentemente, não resistirá no médio e longo prazos”, explica o especialista.

A solução, segundo ele, é investir em serviços que vão além da entrega das obrigações, cálculos de impostos e relatórios simples. Quando se consegue fornecer uma consultoria para melhorar a performance do cliente, atuando de forma direta na financeira, a contabilidade passa a exercer um papel diferenciado, fugindo assim da mera competição por preço.

“Este é o que chamo do segundo nível da prestação de serviços contábeis. Existe ainda o terceiro, que é composto pelo aconselhamento estratégico e busca ajudar o cliente com a visão de longo prazo em tomadas de decisão referentes a fusões, aquisições e sucessório, dentre outras”, afirma Roberto Dias Duarte.

Existe saída para os micro e pequenos?

 Agora, como pequenos, que muitas vezes têm menos de cinco funcionários, podem oferecer um serviço tão especializado aos seus clientes, de modo a se descolarem da competição pelos preços baixos do modelo online?

Para Dias Duarte, a única escapatória é os pequenos se fortalecerem atuando em parceria, seja prospectando em conjunto em segmentos estratégicos ou aderindo ao modelo de .

“A é outra tendência mundial muito forte na área contábil, não só porque já oferece todo o modelo de negócio já pronto, mas também porque se fortalece á medida que cresce o número de franqueados ao redor do país”, avalia o especialista.

“O comum muitas vezes precisa, ao mesmo tempo, cuidar da parte operacional, pensar como empresário e implantar todos estes . Não fez um plano de negócio e, com isso, se sente acuado e frustrado, porque não tem percepção de valor por parte do cliente. A consegue tirar boa parte deste peso de um , pois o ajuda a simplificar a parte operacional, a captar clientes e ainda o libera para se dedicar a tarefas mais estratégicas”, complementa.

Caso de

A única forma de crescer atualmente é estabelecendo parcerias
A única forma de crescer atualmente é estabelecendo parcerias

Um destes pequenos empresários contábeis que conseguiu se reinventar diante desse novo modo de pensar e fazer a contabilidade é Edilson Júnior, presidente da CF Contabilidade. Ao perceber que a empresa já crescera o máximo que podia e enfrentava dificuldades para atender bem todos os clientes, decidiu criar a sua própria franqueadora e, em dois anos, já conta com 14 unidades espalhadas pelos Estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso.

Outra ação que tem surtido resultado, segundo Edilson Junior, é buscar parcerias com outras empresas contábeis para atacar nichos específicos.

“A única forma de crescer atualmente é estabelecendo parcerias e eu me dedico a isso todos os dias, participando de eventos e fazendo conexões que possam oferecer vantagens para ambas as partes”, relata o presidente da CF Contabilidade.

Não à toa, a empresa que atuava como um pequeno escritório em Bonsucesso, no Rio de Janeiro, hoje conta com mais de 800 clientes e pretende inaugurar mais 30 unidades somente neste ano.

“E o melhor é que hoje não vemos limite para o crescimento, pois estamos reunindo a força de vários empresários. A sensação é que nosso negócio não se estagnará nunca mais, pois é altíssima a demanda do mercado por serviços especializados, bem como a de contadores lutando para se fortalecer diante da acirrada competição com as contabilidades online baratas. É o que, no , convencionou-se chamar de oceano azul”, comemora Edilson Junior.

*Fábio Guedes é  jornalista

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