Estudo inglês traça perspectivas globais pós-pandemia

Estudo inglês traça perspectivas globais pós-pandemia

Surgimento de oportunidades é destaque do levantamento, no qual países em desenvolvimento e emergentes merecem atenção especial

Embora ninguém se arrisque a prever de que forma será o desfecho da pandemia do novo coronavírus, seja aqui ou lá fora, começam a surgir os primeiros estudos prognosticando o que nos reserva o .

Um dos mais recentes foi divulgado pela Euromonitor International, empresa sediada na Inglaterra, cuja especialidade é a realização de pesquisas sobre os mais diversos mercados diante de circunstâncias igualmente distintas.

Intitulado “Economia Global, Finanças e Tendências do Comércio”, o relatório destaca ameaças, mas também diversas oportunidades existentes para empresas e nações que se adaptarem à nova realidade e tenham estratégias consistentes nesta direção.

Confira algumas principais tendências globais identificadas pelos pesquisadores britânicos:

Recuperação desigual

Para uma orquestra funcionar bem é fundamental que todos os seus integrantes, assim como   os instrumentos por eles tocados, estejam em total sincronismo.

Essa desejável harmonia, porém, dificilmente deve ocorrer com relação ao ritmo de recuperação das economias de diferentes países e regiões.

O próprio crescimento de 5,9% estimado para a economia global este ano é visto com ressalvas pelo estudo, pois o referencial será o raquítico desempenho de toda a economia mundial em 2020.

Para turbinar esse processo, a Euromonitor aponta como fundamentais a velocidade de vacinação – e o consequente controle local da pandemia – além da confiança das empresas e consumidores nas diretrizes traçadas e postas em prática pelos seus governantes.

A título de exemplos, o instituto acredita que os Estados Unidos retornem ao nível anterior à pandemia ainda em 2021, havendo para o ano seguinte expectativa semelhante no tocante à zona do Euro.

Paralelamente aos aspectos macro que permitem antever o poder de reação de cada economia, deve-se considerar, de acordo com o estudo, as peculiaridades de diferentes faixas etárias, profissões e grupos sociais, cujas capacidades de superar as dificuldades devem variar em função do quanto tenham sido atingidos de 2020 para cá.

Como preventiva, os analistas ingleses recomendam que as empresas permaneçam atentas, não só às suas receitas e ao fluxo de caixa, como também à definição de preços compatíveis com a realidade dos mercados atendidos.

Dívidas públicas em alta

Embora o endividamento de um governo tenha um lado positivo nos períodos de desaceleração econômica, este fator   acaba se tornando motivo de preocupação quando envolve dívidas de longo prazo.

O efeito nocivo disto costuma ser maior nos países emergentes, com grande necessidade de financiamento.

Também é preocupante nesse processo a celeridade com que as coisas têm acontecido, haja vista a dívida pública mundo afora ter aumentado em 2020 mais rapidamente do que o ocorrido entre 2008 e 2009, em plena crise financeira global.

De uma forma geral, a Euromonitor acredita que, mesmo após a pandemia, tanto empresas quanto consumidores dos países mais endividados terão maior dificuldade para se recompor.

Globalização revista

A queda de 7,2% registrada nas exportações globais de 2020, agravada pela pressão sofrida pelas multinacionais, em nome de condutas transparentes e socialmente responsáveis, juntamente com as tendências protecionistas trazidas pelas incertezas geopolíticas, já começa a dar vida a um novo perfil de globalização.

Para justificar tal tendência, o estudo destaca os exemplos da sul-coreana Samsung e da rede varejista Walmart (EUA), ambas com planos declarados de fortalecer suas operações locais, em detrimento de incursões em novos países.

A persistir esta tendência – o que o estudo da Euromonitor considera bem provável – sofrerão impactos extras na superação da pandemia as atividades industriais, do varejo e o próprio consumidor dos mercados preteridos.

Agregando mais valor

Economias como a nossa, em desenvolvimento, prometem prosseguir sua transição de uma matriz baseada em indústrias primárias para a produção de serviços, sobretudo os relacionados a varejo, finanças, educação e hotelaria.

Com o gradativo aumento de renda dessas populações, a tendência deve continuar sendo a prevalência da de itens não essenciais, boa parte comercializada via e-commerce.

Prova de que essa forma de comprar chegou para ficar pôde ser vista na China, em 2020, quando a multinacional norte-americana Starbucks se aliou à chinesa Alibaba para fazer entregas em 2 mil lojas da rede em 30 cidades chinesas.

Novas fronteiras

Entre 2020 e 2040, 75% do crescimento do PIB mundial virá de mercados emergentes e em desenvolvimento.

Com isso, a participação dessas economias nos negócios globais será de 69%, ante os 56% alcançados no ano passado, no que se refere à paridade de poder de compra.

Também deverão estar nesses países as melhores oportunidades de crescimento para empresas e marcas desejosas em ampliar suas carteiras de clientes em mercados menos saturados.

Dois casos emblemáticos de busca por escalabilidade no segmento de streaming, ambos ocorridos na Ásia-Pacífico, envolveram recentemente Netflix e +, respectivamente.

A primeira, de acordo com a Euromonitor, está visando mercados como Indonésia e Filipinas, com suas populações predominantemente jovens e uma classe média em ascensão. A segunda seguiu caminho semelhante na Índia, por meio de parceria firmada com a gigante Hotstar.

Países africanos também tendem a ser mais atraentes ao comércio global, tendo em vista realidades como a da Nigéria, onde a classe média deve dobrar em cerca de vinte anos, campo fértil para a chegada por lá de nomes globais em setores como o das fintechs, educação e saúde.

Conclusão

Bem, certamente vários estudos como este ainda serão produzidos neste e nos próximos anos, dada a importância que representa para todos os tipos e tamanhos de negócio ter um mínimo de previsibilidade em seus horizontes.

Sejam quais forem as pesquisas mais acertadas, podemos desde já ter a certeza de que as empresas de novamente estarão ao lado dos empreendedores, indicando os melhores caminhos para que eles possam se reinventar com a urgência pedida pelo momento atual.

Ao mesmo tempo, os igualmente passam por mudanças estratégicas, e isso nos motiva a permanecer mobilizados e atentos para trazer a você e sua equipe informações que possam agregar valor ao trabalho vital que empresas da área já prestavam antes, estão prestando durante e, sem dúvida, continuarão prestando ao brasileiro após a pandemia.

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