Pesquisa de clima pode transformar empresa e mudar cultura organizacional

A verdade só pode ser encontrada na simplicidade, e não na multiplicidade e confusão das coisas Sir Isaac Newton

Estabelecer uma cultura organizacional com foco no bem-estar dos colaboradores deve ser uma das prioridades dos profissionais de Recursos Humanos em 2023, conforme apontam diferentes estudos. A pandemia da Covid-19 trouxe desafios à gestão de pessoas: novas relações de trabalho e a necessidade de atenção à saúde mental dos funcionários.

Neste cenário, a pesquisa de clima pode ser uma forte aliada. Através dela, é possível  analisar o ambiente de trabalho e entender os impactos das práticas e das políticas da organização para os trabalhadores.

De acordo com a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), a pesquisa de clima é uma ferramenta capaz de avaliar o momento motivacional do funcionário, pois identifica quais são suas expectativas, aspirações, dificuldades e críticas ao ambiente de trabalho.

A pesquisa também abre o caminho para mudanças na cultura organizacional. A partir das informações coletadas, as lideranças podem discutir a implantação de melhorias, que podem ser desde ações simples no dia a dia até as mais complexas, como modificações nos organogramas empresariais para a reestruturação de setores.

A aplicação da pesquisa de clima é uma das estratégias para assegurar o bem-estar da equipe, pois é uma forma de a organização ouvir os colaboradores. Este espaço é necessário para promover a motivação. Segundo informações da ABRH, colaboradores desmotivados usam apenas 8% da capacidade produtiva, enquanto os que estão motivados utilizam 60%.

Contexto desafiador

O ano de 2023 é o momento em que as organizações já definiram o modelo de trabalho como presencial, híbrido ou remoto. Neste contexto, os profissionais da área de Recursos Humanos precisam adaptar estratégias para garantir a motivação, o engajamento e a produtividade da equipe nas diferentes circunstâncias.

Outro ponto crucial é o bem-estar físico e emocional dos colaboradores após a fase mais crítica da pandemia da Covid-19. A conscientização sobre os cuidados para evitar o contágio da doença continuam e uma atenção especial à saúde mental dos funcionários também é necessária. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a incidência de transtornos psicológicos aumentou nos últimos anos.

A comparação entre estudos realizados pelo Instituto Ipsos no Brasil ilustra essa realidade. Levantamento feito em 2018 mostrou que 18% dos entrevistados sofriam com sintomas de ansiedade e depressão. Em 2022, quando a pesquisa foi repetida, o percentual saltou para 49%.

Diante da alta, os profissionais de RH devem estar atentos às demandas dos colaboradores no ambiente de trabalho, presencial e on-line. Pesquisa realizada pela consultoria Gartner revelou que as organizações que mantêm este foco nas pessoas observam a melhora de até 28% no desempenho das atividades e a redução de 44% na fadiga dos trabalhadores. 

Pesquisa de clima na prática

A ABRH orienta que a pesquisa de clima seja aplicada de forma periódica, sobretudo, em fases de mudanças no ritmo da empresa. Ela deve abordar diferentes aspectos do trabalho na organização, como a atividade exercida, a integração com a equipe, a relação com a liderança direta, as condições de trabalho, a orientação para os resultados, o salário, os benefícios, o desenvolvimento profissional, a imagem da empresa, o poder decisório, dentre outros.

Além de alinhar a cultura organizacional, a ABRH afirma que a pesquisa contribui para o desenvolvimento dos colaboradores, a otimização da comunicação, a identificação de demandas de treinamento, a melhoria do clima interno e a preservação da qualidade de vida da equipe.

Dessa forma, a empresa percebe impactos positivos diretos como o aumento da motivação, da produtividade, do engajamento e da criatividade da equipe. Há, ainda, a redução da rotatividade, dos conflitos internos e do retrabalho.

*Gracielle Nocelli, jornalista formada em Comunicação Social pela UFJF e pós-graduada em Gestão de Mídias Digitais pela UMESP. Trabalha desde 2012 como repórter da área de Economia.


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