Sete passos para superar a crise

Roberto Dias Duarte

para o Sindicato dos Contabilistas de Chapecó (Sindicont)

Os profissionais da têm um papel transformador na sociedade, podendo contribuir com as empresas para saírem de situações difíceis ou pelo menos para amenizarem o impacto da crise provocada pelo novo coronavírus. A afirmação é do conselheiro da Omiexperience (São Paulo), Fortes Tecnologia (Fortaleza) e Latourrette Consulting (Porto, Portugal), mentor de escritórios de inovadores e professor . Durante o online gratuito “Manual de sobrevivência empresarial – guia prático para proteger sua empresa em tempos de crise”, promovido nesta semana pelo Sindicato dos Contabilistas de Chapecó (Sindicont), Duarte apresentou sua metodologia para enfrentamento de crises.

Decisões emocionais x racionais

De acordo com o palestrante, em momentos de grandes crises as pessoas têm tendência de, num primeiro momento, entrar em fase de negação do problema e, depois, em desespero. “Quando estamos na fase do desespero, a emoção toma conta do racional e acabamos tomando atitudes que não são positivas, pelo contrário, são irracionais, ineficientes e ineficazes. Essa metodologia que apresento é um guia para trazer os empresários de volta à racionalidade”, frisou.

Duarte fez uma analogia com médicos intensivistas que estão na UTI de um hospital, com pacientes em estado grave, mas sem nenhum equipamento para monitorar sinais vitais e fazer exames. “Muito provavelmente receitarão o remédio errado, na dose errada, na hora errada e isso é muito perigoso. O que acontece na maior parte das empresas do Brasil é que elas estão na UTI e, para complicar o quadro, não estão sendo monitoradas”.

Manual de Sobrevivência Empresarial

O Manual de Sobrevivência Empresarial apresenta sete passos: fazer o diagnóstico, ter uma boa estratégia, definir equipes, elaborar projetos, medir resultados, liderar a e mudar o comportamento. “O diagnóstico é essencial. É preciso monitorar os sinais vitais da empresa para que se possa receitar o remédio certo, na dose certa e na hora certa para não matar o ‘paciente’”, reforçou Duarte.

Conforme o palestrante, é necessário monitorar o cash runway da empresa, ou seja, o batimento cardíaco. “Cash é dinheiro e runway é a pista de corrida. É o fôlego financeiro que a empresa tem para enfrentar um caminho difícil. A equação é simples: basta somar a quantidade de dinheiro que há no caixa, na conta corrente e nas aplicações de curto prazo e dividir pela queima mensal”, explicou. Duarte criou um quadro para classificar o diagnóstico do batimento cardíaco da empresa: se ela tem mais de 12 meses de cash runway, está em estado de observação; caso possua entre seis e 12 meses entra em caso de alerta; se tem entre três e seis meses (estado de emergência), a empresa vai para a uti. “Nesse caso terá que cortar gastos e sem anestesia, vai doer”, assinalou Duarte. Caso a empresa tenha menos de três meses de cash runway está em estado de calamidade. “Não só ficará na uti como também será entubada e vai doer um bocado mais”.

O problema é que as pequenas e médias empresas no mundo têm só 27 dias de fôlego financeiro e, no Brasil, ainda menos. “Monitorar o sinal vital é o mais importante, mas não é suficiente para prescrever um tratamento”, frisou Duarte. Para investigar mais é preciso entender os elementos que influenciam diretamente no cash runway, como o EBITDA (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização), capital de giro, investimentos, dívidas e pró-labore e lucro distribuído. Aliado a isso, o enfatizou a necessidade de automatizar processos, integrar a cadeia produtiva com o cliente, criar mecanismos de autoatendimento, otimizar processos, entre outros. “Isso é uma real de custos, é fundamental ter uma digital. É difícil, dá trabalho, tem que mudar o modelo de negócio. O mundo exige uma completa e isso não significa que tenha que ficar só no digital, as empresas precisam ser multicanais”. 

O segundo passo da metodologia é ter uma boa estratégia. Duarte sugere uma tática agressiva de defesa se a empresa está em estado de calamidade. “Não tem saída fácil, mas para tudo tem solução, menos para a morte”. A terceira etapa é definir equipes no que ele chama de salas de guerra. “São três forças-tarefas que farão a defesa, a fidelização de clientes e o ataque. São equipes multidisciplinares, com responsabilidades e tarefas bem definidas”, explicou.

A sala de guerra 1 tem objetivo de reduzir “queima” mensal e gerar caixa, com profissionais dos setores de tributos, trabalhista, financeiro, e produção. A equipe 2, de fidelização, visa manter receitas e descobrir oportunidades. O perfil da equipe é de relacionamento. “Essas pessoas vão ouvir os problemas dos clientes e dizer que, junto com a equipe, vão fazer o possível para buscar soluções”, orientou Duarte. A terceira sala de guerra é o ataque, com objetivo de gerar novas receitas. A equipe é formada por profissionais das áreas de marketing, e especialistas. “Quando o empresário está em situação de desespero tem que levá-lo para a situação de racionalidade. Não existe nada melhor que números para isso. Então, façam planilhas, mostrem dados e proponham soluções”, acrescentou o palestrante.

Elaborar bons projetos é a quarta fase da metodologia, com objetivo, data de início e fim, orçamento, equipes, recursos, plano de trabalho e execução. “Tem que ter impacto a curto prazo, ou seja, em uma semana. Na situação atual, um mês é longo prazo”, observou Duarte. O próximo passo é medir resultados, seguido por liderar a mudança. “O líder desse processo coordena as salas de guerra, prioriza projetos, motiva as equipes, faz reuniões de acompanhamento. É fundamental diálogo e transparência”. Por último, está a real de comportamento.

Duarte ressaltou que os profissionais de fazem parte desse processo, ajudando o cliente a tomar decisões. “O setor de é o que tem mais oportunidades de negócios. É preciso sair de produtor de guias de pagamentos para ser conselheiro das empresas, ou seja, contribuir para a tomada de decisões estratégicas e para a do negócio”, concluiu Duarte.

publicado originalmente em: http://sindicontcco.com.br/noticia/103/-sete-passos-para-superar-a-crise

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