Transformação digital na contabilidade: você pode “não querer”?

por Roberto Dias Duarte

“O futuro não tolerará profissionais apenas escriturários, informantes, porque os computadores estão suprindo esta função e são manuseáveis com facilidade, mesmo por quem tem baixo nível de cultura. Como a ciência está caminhando a passos largos é preciso que o profissional procure inteirar-se de tais progressos.” Prof. Antônio Lopes de Sá – 16/10/2004
Transformação digital na contabilidade: você pode "não querer"?
Transformação digital na contabilidade: você pode “não querer”?

Quando se fala sobre transformação digital ou quase sempre pensamos que a única maneira de fazê-las é criando um produto inédito e promissor. Ou seja, é esperado que cresça de vento em popa do dia para a noite ou que mudará comportamentos drasticamente.

Mas a verdade é que a pode ocorrer até mesmo no que já está consolidado e que agora funciona bem. Por isso, é necessário realizar mudanças antes que seja tarde demais.

De acordo com recentes pesquisas da empresa de consultoria IDC, pouco mais de 10% das empresas investem cerca de 5% de seu faturamento em tecnologias inovadoras. Reinaldo Sakis, gerente de Pesquisa e Consultoria para Devices da IDC Brasil, indica ainda que empresas mais maduras e que investem mais em transformação têm mais faturamento e crescimento em comparação com as que não seguem esse caminho.

A transformação digital na contabilidade está caminhando em um ritmo tão surpreendente, que muita coisa que parecia impossível há pouco tempo atrás, já acontece. O futuro é agora! E, esse papo de na contabilidade, transformação digital e a necessidade que as empresas têm de se atualizar pareça clichê, não é? 

Isso, porque o que mais se vê por aí, são pessoas que falam da transformação digital na contabilidade, mas não sabem como implementá-la. A transformação digital traz consigo uma onda de facilidades que, se não exploradas, podem significar o fim de um negócio. Observe:

O que aconteceu com a Sega, Kodak, Blockbuster ou Blackberry?

Se de um lado temos o cenário de do Uber, AirBnB, BlaBlacar ou Pinterest, do outro temos empresas que atuam há anos no mercado, e acabaram ficando para trás por não iniciarem rapidamente a transformação digital.

Com a velocidade na qual surgem as novas tecnologias, negócios que não se atentam em inovar seus modelos ou que demoram a “tirar” novos projetos do papel, perdem o timing. Aqui podemos citar alguns exemplos de empresas como a Sega, que tinha videogames e jogos de , mas o seu produto Dreamcast não estava preparado para o da PlayStation 2 e o videogame foi abandonado em 2001.

Kodak

Durante a maior parte do século 20, a companhia foi uma gigante no mercado de filmes fotográficos, chegando a dominar 90% desse mercado nos Estados Unidos na década de 70. A Kodak fazia sucesso, mas os seus líderes acharam que a câmera digital iria prejudicar a venda de filmes e engavetaram a .

No final dos anos 90, a empresa enfrentou problemas financeiros devido à queda nas dos filmes durante a transição para a era da fotografia digital. A empresa chegou a mudar a , abraçando a digital de fotografia e impressão, mas já era tarde demais. Ela havia perdido o timing para revolucionar o mercado com a oportunidade digital.

Blockbuster

As locadoras de vídeo também assistiram a sua queda com o surgimento dos meios de download, planos de TV a cabo e serviços de streaming, que levaram ao declínio do aluguel de DVDs e Blu-rays. A falência da Blockbuster significou a perda de milhões de dólares. Ciente da ameaça dos meios digitais, a empresa poderia ter usado a sua marca forte para se reformular, lançar um concorrente ao Netflix, e levar seus clientes para um serviço digital, mas infelizmente isso não aconteceu.

Blackberry

Mais uma grande empresa que faliu recentemente foi a Blackberry. A marca ignorou as tecnologias que o iPhone estava desenvolvendo, como o touch-screen e julgou que a empresa nunca seria capaz de se tornar o standard corporativo por não conseguir lidar com a segurança a nível de e-mail empresarial.

Mas a Apple dominou o mercado de consumidores pessoas-físicas e promoveu o BYOD (Bring Your Own Device, traga seu próprio aparelho) dentro das empresas. Com isso, o mercado foi redefinido e a Blackberry perdeu quase todo seu marketshare.

E o 2.0, como vê a na contabilidade?

Jim Boomer, CEO da Boomer Consulting, num artigo intitulado “Você sente a dor?” (Do You Feel the Pain?, título original em Inglês) alerta que, na atualidade, ainda existem muitos líderes de empresas de contabilidade com a mesma mentalidade dos executivos da Kodak. O que quer dizer que muitos contadores não olham para a inovação como tendências na contabilidade.

Segundo o estudo Welcome to the Fast Future, apenas 10% das empresas contábeis se vêm como inovadoras, enquanto 82% reconhecem que precisam compreender melhor a inovação na contabilidade. O restante considera que a profissão já está pronta para o futuro (sem a necessidade de melhorias).

O cenário é preocupante, uma vez que as transformações tecnológicas são rápidas e constantes, e o 2.0 precisa estar atento para não ser ultrapassado por concorrentes globais.

A tecnologia na contabilidade tem mudado a forma de trabalhar de todos os profissionais contábeis e certamente você já sentiu isso no seu dia-a-dia. A adoção da nuvem como plataforma tem promovido uma revolução tecnológica neste mercado, valorizando o profissional cada vez mais essencial no cotidiano das empresas.

Novos modelos de negócios, mercados globalizados e clientes mais exigentes são pontos de atenção para empresas contábeis e criam um futuro de grandes desafios, mas também de muitas possibilidades.

A inovação na contabilidade trouxe modernidade na geração e o envio de informações tributárias, legais e trabalhistas por meio digital. e E-Social são exemplos de projetos que evidenciam a importância do  se desenvolver e buscar automação de , conexão com clientes, novos modelos de negócio e até mesmo uso de tecnologias inovadoras como: computação cognitiva, cloud computing, e .

O contador 2.0 precisa buscar a inovação na contabilidade para se tornar mais consultivo e participativo nas decisões estratégicas dos seus clientes. Nesse contexto, inovar se torna essencial para prosperar. Muitas vezes é preciso reinventar-se e transformar-se para continuar no mercado, bem antes que o prejuízo ameace aparecer.

Atualmente, existem novos caminhos sendo abertos pela tecnologia na contabilidade. Os avanços tecnológicos, como a integração total de dados financeiros e fiscais entre cliente e o contador, são os maiores aliados no ganho de eficiência tão desejada pelos empresários contábeis.

Um dos aspectos mais importantes estão relacionados à segurança com que os procedimentos passaram a ser realizados. Ao perceber que seu escritório oferece diferenciais no e na segurança dos documentos, a tendência é que o cliente passe a ver seu trabalho de maneira mais positiva. Isso é fundamental para agregar valor ao serviço oferecido e gerar mais benefícios, como a fidelização, por exemplo. Ao modernizar os procedimentos, o contador conta com um diferencial de mercado.

Como vimos, as aperfeiçoam os diferentes que fazem parte da rotina de um . Sem uma aposta clara em inovação na contabilidade, as empresas correm o risco de perderem competitividade.

Algumas empresas conseguem adaptar-se a novas realidades, implementando aos poucos, o uso de novas tecnologias e novos procedimentos no seu funcionamento. Outras, devido a decisões menos acertadas, ficam para trás, perdendo os fatores distintos, que em tempos as fizeram ser competitivas.

A Kodak levou 35 anos para chegar a falência, pois perdeu a chance de inovar quando teve a oportunidade de lançar as câmeras digitais no mercado. Quanto tempo mais você acha que os escritórios que não apostam em tecnologia na contabilidade irão aguentar?

 

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